31 de maio de 2011

Uma marca do passado


     Via o sol refletindo contra a minha janela, a música melancólica ao fundo, aquele gostinho de tarde ainda vivido em meu paladar. Sim, as coisas eram simples. Então, ás vezes, ou até em seguida, me pego escrevendo. Escrevendo sobre tudo, sobre nada. Escrevia sobre simplicidades, como a chuva que escorria sobre a grande fortaleza de lembranças, que eu mesma gosto de chamar de casa. Gostava de escrever sobre assuntos indiscutíveis, particularmente como religião, guerra, preconceito. Mas, acima de tudo, me sentia feliz. É claro que, convenhamos, ainda somos jovens, todos nós. Ainda temos oceanos de coisas para descobrir, uma vida inteira para se conhecer. Mas mesmo sentindo que vivi tão pouco, as coisas mudaram. Nada está como costumava ser, o que antes era simples, doce e inocente, hoje em dia é vulgar, complicado, amargo. E mesmo que cada fibra do meu ser insista em negar, não posso lutar contra a lógica; não posso negar que o mundo está se tornando cada vez mais canibal.

Um comentário:

Mariana Coelho disse...

Tão realista e tão bom. Nada a declarar. :)